Catavento

Tudo que é meu está guardado,

lacrado em caixas,

envolto por papel bolha e pedaços de isopor

mofado.

 

Inflexivelmente maduro,

constato que ainda não senti o mundo,

e o mundo é a Sensação.

 

Não tenho mãos para segurá-la,

pois as tenho em meu peito, em minhas costas,

em meus rins, em minha perna, no joelho,

 

no meu corpo de chumbo,

feito para afundar num mar insosso.

 

Eu imploro ao mundo uma vida sem sono,

onde a calmaria esteja presente

mesmo na ausência do sonho.

Sem o escapismo de minha cama,

sem o apelo de quem clama

por mais uma parcela de minha alma sonolenta.

 

Apelo das formalidades,

clamores que cobram o progresso.

Que progresso?

Afinal, eu só tenho a cidade e um amor,

e meu amigo, um carro,

mas ambos possuímos a mesma infelicidade

provinda da costela e do barro.

 

(fadado ao anonimato)

 

Sou só um homem perdido no momento,

com um bocado de palavras e um catavento.

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