Arquivo da categoria: Uncategorized

Rabisco

Fiz um rabisco vermelho no papel.

Um rabisco de um homem morto,

rabisco de meu desejo torto.

 

É agora que me deparo com o rabisco vermelho,

com o rabisco azul, rabisco amarelo…

Cores que estão no mundo, agora estão no meu papel.

 

E agora eu descubro que dessas cores, não sei nada.

Vou procurar saber, que nem alma penada,

para um dia, enfim,

não engajar-me na hora errada.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

INVIDIA

 

 

Talvez se lembrasse da luz do escritório

tangendo os passos que não dou

no coração que bate as teclas.

 

Vou abrindo um livro qualquer

Um poeta qualquer

Um colaborador qualquer

Umas meias palavras

Um meio leitor.

 

E parece que minha dor é qualquer também.

(e parece que não há e nem sou o único a ser qualquer)

 

Podem escolher pra esta poesia qualquer fim.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

O Hiperbóreo e o Escritório

Subiu de elevadoruma certa hemiplegia

E o ambiente era errôneo de tudo

Mas os erros faziam dali o lugar

E o lugar fazia dali os seres,

Das linhas retas

Nasciam homens retos

Traçando caminhos tortos

Nas teclas , nas gavetas, nos rabiscos

Nasciam amores das 6 às 18.

 

E o sol contemplava tudo,

Em sua imensidão se contentava em aparecer na janela

Em algumas eram homens bárbaros

E suas esposas prenhas,

Nos sonhos

Dos engravatados e das secretárias.

 

Parte do fluxo corrente meu sangue esquenta

E o escritório vive

Enpastorado, enpastorando.

 

Não viviam ali heróis

Não cresciam ali povos nem guerras nem romances

Era o café

O papo

Bom dia

Até.

 

A grande Ilíada da promoção

As reuniões de Dante e seu inferno

As grandes gravatas de Kafka

E a Odisséia do Happy Hour.

 

(E no escritório não se ouvia mais nada, além dos gritos dos mudos desesperados)

 

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

 

Há quanto tempo tabacarianos?!

Enfim, graças a nova rotina terei tempo de sobra pra ler e escrever, voltarei a postar as boas e velhas poesias de “perdida esperança”, se elas tiverem traços Kafkianos ou de Schopenhauer ignorem, e interpretem por vocês.

Obrigado.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Ôde ou Poesia Endereçada

Residia, então, em pequenos olhos claros o segredo de uma vida.

Havia algo de vivo nos autos e no vento ateu,

Que preferiram deixar pulsar.

 

Por um instante, o mundo foi povoado por homens,

Que novamente sentiam e amavam, como em tempos distantes.

Havia algo de vivo nos homens e nos homens ateus.

Agia sobre a Terra um gosto de sol ou de um Deus

E consolidava-se a ironia de existir:

A dissolução surgia a partir da plenitude do sentir.

 

Sim, o amor deixava sua cicatriz permanente no ser.

Já não éramos os mesmos porque nos perguntávamos

Quão pequena é a vida então

E quão grande a alma pode ser.

 

É chegado um tempo em que apenas amar faz sentido.

E é um amor que se alimenta de apoteoses,

Pois finda o beijo e voltam os homens e voltam as ruas,

Mas é também um amor que precisa de anacronismos,

Já que é tarde demais para que nos aflija

Porque nós somos o nosso amor e sempre será cedo.

 

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Ao mar, amar.

É infinito o mar.

E infinito é o meu amor por ti, Mãe.

E perante este verde que ganha traços mórbidos

que eu me confesso e me redimo a ti.

Pois eu me rendi a um ímpeto de felicidade

e agora encontro-me só neste navio

com lembranças capazes de trucidar o mais sensato homem

e de amolecer o mais coeso.

 

Na incerteza do que virá ao fim dessa imensidão

eu sei que guardarei cada sensação que me proporcionou, Mãe.

Cada sabor que pude provar,

cada aroma que pude sentir,

cada olhar complacente que retribuí.

 

Nenhuma lágrima será em vão, Mãe:

Todas fomentam a esperança de que voltarei

maior como homem e como filho.

Tua ausência te eternizará em mim,

Tua presença fará com que eu me sinta vivo novamente.

Obrigado por me amar, Mãe.

Obrigado por existir em mim.”

 

*Retirado do projeto Brasil-Itália

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

4 fatos sobre ser esquecido

Definir inesquecibilidade é fácil e muitos (todos?) podem falar sobre momentos e realizações de sonhos. Falar em esquecibilidade, no entanto, dói e constrange, mas tem muito maior relevância.

1- Em primeiro lugar, um fato tem que ser dito: Qualquer relação, seja qual for sua duração e intensidade, é tênue. Nem a metade da laranja, nem o saudoso pai ou o professor do abecedário serão lembrados em alguns poucos anos.

2- Pois então, a mente é má conosco por relativizar pessoas e torná-las sombras no passado? Talvez. Entretanto, são estes fatores que possibilitam o surgimento de novos laços. Nenhum contato vem para complementar outro, mas em detrimento de outro.

3- Ao contrário do que se pensa, a esquecibilidade não é fator primordial do esquecido, mas sim do que esquece, pois é condicionado por diversos fatores externos. Talvez seja “ético” pensar que não se deve esquecer alguém tão facilmente, e eu posso vivenciar esse pensamento diariamente. Denota, de fato, alguns traços de caráter e de entrega quanto ao ser ou não do outro, pois o sentir falta não significa necessitar viver novamente.

4- Ninguém defende a tristeza eterna e a nostalgia, esse texto é feito com o intuito de evidenciar que o homem é condicionável, então é melhor doar-se e extrair o máximo cotidianamente: a vida é rasa e você será esquecido.

1 comentário

Arquivado em Uncategorized

Oração de Baiano na Vida I

Um homem deve panoramizar as ruas

ou as ruas devem panoramizar o homem?

Em um mundo cheio de vida,

mas vazio de

sol

sal

cor 

céu,

é que imploro por chão,

que rezo para não saber,

e que desprezo deter a retórica:

Quero sê-la.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized